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terça-feira, 24 de junho de 2014

Lusvarghi: o homem que irritou a polícia.



Lusvarghi já foi policial militar em São Paulo e no Pará. Serviu na Legião Estrangeira, exército especial da França. Tentou servir às forças armadas da Rússia e não conseguiu. Ficou um mês e meio nas FARC e saiu porque não gostou. Este é o perfil do homem que recebeu dois tiros de bala de borracha no peito no dia 12 de junho, além de ter sido imobilizado por – pelo menos – outros 5 policiais, enquanto um sexto lhe espirrou spray de pimenta nos olhos. Tem 29 anos e acredita que deveria ter no Brasil uma revolução tal como ocorreu na Rússia em 1917.


Lusvarghi cumprimentando jornalistas estrangeiros da AFP. Em suas mãos,
 um frasco de iorgute. Folha de São Paulo disse que ele estava "embriagado"...


Sobre aquele dia, o coronel Meira disse que a polícia pode ter abusado um pouco da força. Segundo um artigo publicado pelo Estadão no dia seguinte, o próprio Lusvarghi viu “coerência” na ação da polícia, disse ter sido bem tratado e que admira a função pública do policial.

Ontem, 11 dias depois de ter sido detido, repercussão que lhe rendeu demissão dos dois empregos que possuía, ele estava bem animado na manifestação, andando sem camisa na maior parte do tempo e usando uma saia. E faço questão de falar que ele estava usando SAIA (guardem esta informação para mais adiante).

O ato saiu da praça do ciclista, foi até o final da Av. Paulista sentido Paraíso, voltou e terminou o trajeto na frente do MASP. O objetivo, segundo um discurso feito no início da caminhada, era fazer os policiais perder a oportunidade de assistir o jogo Brasil x Camarões.


Exagero e irresponsabilidade: policiais civis do Deic - Garra portaram
metralhadoras no final da manifestação. Ao que parece, entrou para
a história da polícia judiciária a única ocasião em que sairam da sua unidade no
Carandiru e voltaram ilesos, sem ter havido confronto algum. Também pudera,
nunca vi manifestante andando armado.... 


Os manifestantes, entre 300 e 500 pessoas (e não 200, tal qual foi informado pela polícia...) foram acompanhados pela tropa de choque a todo momento. Tinha cavalaria também. Talvez o que ninguém esperava foi que a surpresa da noite foi a atuação da polícia civil, até então “novidade” nos protestos. Tinha policiais do DEIC - GARRA, os quais portavam até metralhadoras.

Ao final do ato as pessoas foram se dispersando, uns indo pela calçada, outros indo em direção ao metro. Do lado da estação Consolação, atrás de uma banca de jornal, uns policiais do DEIC - GARRA fizeram uma tocaia e foi onde prenderam Lusvarghi. Uma arma de fogo foi disparada pelo menos duas vezes. O manifestante foi jogado no chão, enquanto o CHOQUE fazia uma formação em linha que, no meu entendimento, era para “limpar a rua das pessoas”. Isto posto, o Choque também deu tiros ali, mas não acertou ninguém.

Fiquei surpreso que Lusvarghi tinha sido acusado de porte de explosivos. Ele não portava nenhuma mochila, a saia não tinha bolso, então a bomba estava aonde, enfiada no cu?

Enfiado num carro preto, que avançou perigosamente sobre outras pessoas que estavam na rua, Lusvarghi foi acompanhado por pelo menos outros 4 policiais, incluindo o motorista, num carro preto que arrancou cantando pneus e desapareceu da vista de todos.

E o que falar sobre a acusação de formação de quadrilha, é pra combinar com a época de festa junina?








Mais ridículo ainda foi o papel da mídia, em especial, o servicinho de merda da Folha de S. Paulo.A grande mídia golpista já acusou o Morelli de ser “coordenador” do black bloc, depois veio a Sininho, deputado Freixo. Meteram ainda o PCC no meio. Agora preferem não tomar mais riscos de passar novamente por vexame. Disseram apenas que Lusvarghi foi preso por associação criminosa e ponto. Que associação é essa? Qual o nome do grupo, do líder? Sim, porque se mudou o conceito de quadrilha, se agora uma única pessoa pode ser acusada de formação disso, então vamos ter que rever a jurisprudência. 

A verdade é que Lusvarghi despertou ódio entre os policiais porque sua figura pode incentivar outros policiais a “sair da linha” e se tornarem manifestantes. Este é o motivo da sua prisão.